terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mulheres de minhas leituras

Viajo nestas letras de quem está "Muito longe de casa",
e vejo que nas "memórias de um menino soldado" não houve tempo
para encontrá-las com tanto fervor diante da dor.
Mas continuo, encontro riqueza de detalhes no depoimento dele...
É isso mesmo, não vou esconder, é ele. "Eu, Casanova, confesso".
Afinal, é a mesma riqueza das "Memórias de minhas putas tristes",
tão infinitamente sensuais quanto as encontradas nas
"Casas dos budas ditosos", que só João Ulbado poderia encontrar.
Então vejo que todas estão de alguma forma "Nas mulheres de meu pai",
com todo o jeito e as formas de Agualusa.
Todas com suas caraterísticas, da mais famigerada à mais delicada,
da vulgar à sutil, de gestos que exalam sensualidade, pureza.
E nesse imaginário estou no "Último vôo do flamingo", para então ousar em
desbravar novos caminhos de um imaginário infinito. Eis a leitura!

(Texto: Andréa Zílio / Foto: twowests)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Grito solitário

As estrelas deixaram de brilhar,

a escuridão infiltrou-se no céu azul e branco,

a insanidade tomou conta deste cenário de

uma ilusão de paz... em que a busca por ela

é a própria guerra.

Aquela que mata, leva tudo o que é do povo.

Espanta todos os sentidos, mantendo apenas o medo.

O olhar inocente agora é assustado,

aterrorizado diante de um cenário desfacelado,

em que andar na rua já não é seguro, e é preciso

conviver com as muralhas da dor, tristeza,

incerteza, impureza e morte.



A mão deixou de fazer carinho, e o afago

é gesto de um passado vivo apenas nas lembranças.

O choro não é apenas de dor, mas de desespero,

do mais voraz, intenso e trágico,

em que saciar a fome é a única luta diária

transformada em sonhos que almejam apenas dias que

tenham comida à mesa, tranquilidade no lar, trabalho, dignidade, justiça.

Mas o paraíso parece ter se transformado em inferno,

onde vida e morte andam cada vez mais juntas...

ainda assim, com tanta dor, um grito ecoa mundo afora

e a súplica pelo socorro encontra forças e se faz também em sorrisos.


(Texto: Andréa Zílio - Foto: Alan Tylor/ Congo)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Velejar

Sentir o aportar de um barco sem vela
Velejar em um mar seco de emoções
Emocionar-se em um cenário sem cor
Colorir uma chama que arde em dor

Um espetáculo a colorir
Uma dor a abrandar
Hastear a vela e encontrar o som
Velejar em um mar de sons
Rumo ao encontro das emoções que devolvem o tom.

(Texto: Andréa Zílio / Foto: Garatujando)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O grito

Você sente que está ficando cheio,
o corpo pesa, tudo parece sufocar.
A mente já não equilibra pensamentos,
nos ombros uma cruz parece se alojar.

Parou e tudo continua do mesmo jeito,
então esbraveje, solte aquele grito contido,
mas faça isso somente para você, pois
assim como as palavras ditas,
os gritos ecoados são como uma flecha lançada,
não voltam atrás.

(Texto: Andréa Zílio / Foto: Priscila encontrou em algum lugar)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Seguir

Admire as estrelas, mas não as queira em suas mãos,
pois elas só podem brilhar no céu.
Fique mais tempo acordado para ver o luar, mas durma o necessário para recarregar as energias e apreciar outras novas noites.
Ao invés de tomar cafezinho na cozinha do trabalho no fim de tarde, vá até a rua, olhe para a tarde que chega, se despeça do sol.
Não tente se esconder da chuva, ao menos uma vez, sacie o desejo que ela tem em te molhar.
Quando sentir-se só, abrace a solidão, ela também é companheira.
E se a saudade chegar, a sacie com as lembranças.
Se alguém ficar zangado com você, não tente se fazer compreender,
explique-se e espere o tempo te mostrar um caminho...
E se não for o que tenhas imaginado, paciência, não dá pra ser
sempre do jeito que você quer, mas saiba que algo de bom
encontrarás nele...afinal, você vive.

(Texto: Andréa Zílio / Foto: Olhares.com)

Verve!

Me desfaço nessa verve lembrança
de uma serena imagem de contentamento.
Um lúcido transbordar do sorriso que
amedronta os pesadelos.

Um descanso à alma livre,
no sabor da vivacidade do momento.
"Sem que um sonho, no erguer de asa,
faça até mais rubra a brasa da lareira!"

*aspas de Fernando Pessoa
(Texto: Andréa Zílio)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Xodó

Eu chego perto e sentem meu cheiro, o que mostra a lealdade
de criaturas que identificam uma das características da essência de alguém... o cheiro.
Cansada, algumas vezes estressada, basta sentir o toque e força das patas que saltam em meu corpo, para a minha atenção se voltar à vocês.
Os olhos pedintes de carinho são chamados para um momento só nosso.
Vivo nesse xodó, de seres que só me fazem bem, dão trabalho, mas fazem muito bem.

*Meus dois xodó: Ágata, branca como a neve (o nome significa bondosa, ser bom, típico do boxer) e o espivitado poodle Ébano (preto e belo, assim como a árvore africana).

(Texto e foto: Andréa Zílio)

Escrever

É um vício,
daqueles mais fortes e insaciáveis.
É uma rotina,
daquelas mais gostosas e inebriantes.

Como uma gota de orvalho que precisa
do amanhacer para ser tão bela.
Da mesma maneira que o cantor precisa do palco para ecoar sua voz.

Escrever é quando os fatos se tornam verdadeiros
depois de terem sido inventados.
Em cada letra, a história contada, o sentimento expressado
do que se vive, ou apenas vê, mas sobretudo, sente.

(Texto e Foto: Andréa Zílio - RJ)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Renovação!

Nesse pequeninar de tristeza descobri novos rumos,
experimentei mil sabores que dissolveram em minha boca
como palavras de muita poesia, em um cenário surreal.
Imaginar a realidade diante de tanta beleza é
uma overdose de felicidade.

O sangue pulsa mais forte em minhas veias,
energiza cada ponto deste corpo que abriga minha alma.
Só então percebo que às vezes é preciso ser como a garça,
que em muitos momentos se apóia em apenas uma perna para
não pesar o coração. E então, lança mais um de seus vôos, nobre e belo.

Me ergo em tua beleza, na tua energia e nessa sutileza de teus sonhos.
Me embriago em emoções que proporcionas,
exalando a plenitude do viver, que vai além...
muito além de uma mera existência, implicando em um Ser que faça jus a vida.

(Texto: Andréa Zílio / Foto: Sérgio Vale - RJ)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Dançar!

Ouça,
curva-te diante do som,
refaz o movimento com um novo traquejo
te envolves na melodia mais sutil.

Embalas tuas curvas,
sente a brisa te abraçar,
e assim... sem perceber,
conseguiste te entregar!
(Texto: Andréa Zilio / Foto: Olhares.com)