quinta-feira, 26 de junho de 2008

Além!

Uma ávida capacidade de ternura
em uma voz íntima que ecoa.
Inerte diante do infinito,
em um sentimento plácido que
brota do desejo mais íntimo.
Intríseca como o botão de uma flor,
que brilha diante do sol que se põe.

Uma inquietude desnecessária
diante da energia exalada em um sorriso.
A busca por olhares desmemoriados nesta
caminhada dentro do labirinto.
Uma recusa em ser além,
quando seu olhar é sempre além.
Lhe fazendo ganhar todos os gracejos da corte,
em que plebeus, vassalos e reis
se igualam diante de seu nobre olhar.


*Para Dandan (Foto Paulo Penicheiro/Olhares.com)

De Vinícius de Moraes para os amigos de Andréa Zílio

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...

...Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção
de como me são necessários,de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida...

...Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa
da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

(Vinícius de Moraes)

Chama

Os raios do sol se infiltram pelo vidro da janela,
pedindo passagem e anunciado um novo dia.
Essa intrísica vontade viver,
que emana energia em sorrisos e lágrimas,
mantêm dentro do peito a voracidade e a chama acesa.
(Andréa Zílio)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eu!

Escrevo porque minha alma pede. Não sou Drummond, nem Pessoa, mas me faço autora de linhas que traduzem sentimentos meus e alheios, em um universo paralelo, arquitetato por experiências e aprendizados.
Não busco a complexidade de Cabral de Melo Neto, nem tão pouco a simplicidade anunciada pelo mestre Jobim. Apenas escrevo, linhas minhas, suas, que conduzem uma linear temporalidade e se perpetua em frases que falam de amor, dor, angústia, alegria. Sentimento.
Me aqueço da delicadeza alheia, reconstruo diante do sabor perfeito, das letras fragmentadas e pronunciadas, das palavras mal ditas, da brincadeira de unir pensamento, do prazer de saber expresar.
(Andréa Zílio)

Empresto Cecília Meireles:

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste: sou poeta."

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Fragmentos!

Escrever sobre um afago,
traz poesias para você!
Alegria de um mundo
que possui o brilho de um sol
e mostra realmente as cores da vida.
Pássaros da vida viajam sobre a existência
de ser ou não ser, do querer e não poder.
Um sonho que aporta o soneto da felicidade
relata escuridão e desejo;
e com um bom som de jazz,
rasuras demonstram marionetes de um espetáculo só,
onde o sonho se torna um isolamento
e navegar sempre será preciso.

*A arte que se replica. Priscilla reuniu os títulos de minhas postagens e fez sua criação. Muito bom!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Escrever!

...
é um alimento e consumo
pra tua alma irrequieta
que sempre busca além...

(Maracimoni para Andréa)

Alegria!

Tiro o meu chapéu e te vejo passar,
mas logo te sigo sem te deixar voar,
só aceito que viaje se contigo me levar,
afinal, aqui também é meu lugar.

Encontro no sorriso tua forma mais bela,
quero de ti mais que uma noitada,
serelepe aventureira é você que me guia,
filha do mundo, teu reino é alegria.

(Andréa Zílio - Foto Diego Pintro)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Afago!


Sente o meu pensamento no ar,
algo que se desprende do meu olhar,
e percorre milhares de milhas marítimas e terrestres
até te tocar a face, o rosto sublime,
e abraçar... e consolar.
A palavra é melodia aos ouvidos,
o toque é confortante carinho,
O olhar afaga a dor e brinda a alegria
de um coração que se refaz em lembranças.

*Ao amor maior de minha vida, minha mãe, Carmem.

(Andréa Zílio - Foto Online Photographers)

Poesia para você!

Os dentes rangendo se trituram,
mordendo a carne imaginaria do desejo,
com as unhas cravadas na fronha,
adormecendo a dor do prazer,
derramando gotas de sangue
e suor nas curvas da pele retesada e nua e,
se convertem insólitas nos póros,
nas grutas e se convergem sólidas no útero
dos sentidos com a esperança de não ter paz até o
merecido e eterno descanso dos insensatos de insano querer.

*Poesia que um talento da escrita, Aluísio, me deu em 26 de maio de 2004)

O brilho de um Sol!


A entrega a vida,
o gozo dos momentos,
a exposição ao sol,
a nobreza diante do luar.

A criança adulta em uma vida que passa e fica,
que aporta e sai mundo a fora.
Passa silenciosamente e anuncia a todos sua graça.

Asas suprimidas na tristeza,
mas capazes de abraçar o mundo.
Sabedoria em compartilhar alegria,
com a capacidade de embriagar multidões.

Um ser solene, de alma generosa,
que não teme a voracidade do amor,
e desperta a cada grande descoberta,
vivendo um drama shakepeareano
com a sutileza de um belo conto de fadas.

*Para a amiga que sempre gerou raios de luz e alegria em minha vida, Sol)

(Andréa Zílio - Foto Percivaldo Rossato/Olhares.com)