sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rabisco

Corre... palavras desaparecem como formas de pequeninar as emoções.
Mas é o silêncio o grito que mais ecoa em seu coração...
Cúmplice, acolhedor, de uma ternura a se acostumar.
Talvez neste tempo seja ainda cedo, ou tudo é muito devagar?!
Ou na vagareza pergunte em uma das voltas se ainda é possível amar...
desacelera, acelera, não vale se ausentar...
Se enjoar, mesmo quando as ondas parecerem maior que o mar, e nenhuma palavra alcance o mundo, ainda assim, é sempre bom rabiscar.
Nessa imensidão, mesmo quando for um grão, entenderás que mais um, é sempre diferente e pode sempre ajudar!
(A.Z)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Singing In The Rain

Eu estou cantando na chuva
Só cantando na chuva
O que um sentimento glorioso
eu tenho muito prazer novamente
eu estou rindo das nuvens
Tão escuro sobre
O sol está em meu coração
E eu estou pronto para amar
Para amar
Deixar as nuvens tempestuosas perseguirem
Todo mundo do lugar
Venha com a chuva
eu tenho um sorriso em meu rosto
eu caminharei para pista abaixo
Com um refrão feliz
Cantando, cantando na chuva
Na chuva.
...

(Para começar o ano sem receio de se molhar. Que seja com serenidade, boas energias para saber usar a chuva)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Palavra!

Procurar palavras para darem eco ao sentimento é ir ao encontro do grande duelo da emoção com a razão...
É dizer a sensatez que o insano está presente... é esbravejar ou apenas conter-se na cordialidade das emoções.
É dar a escrita o seu direito de indignar-se, se despir, se revelar.
Todas essas palavras podem escapar de seus dedos, lábios, ou viajar em sua mente... o destino você escolhe.
Mas às vezes, as palavras são armadilhas ao silêncio... em outras, silenciar talvez seja a melhor maneira de demonstrar cada palavra que te expresse.
Falada, escrita ou silenciada é a palavra que reabilita o coração... aquele que chora, que grita, que sente falta, que é feliz.
Nessa democrática artimanha nos basta sentir, refletir e abrir o melhor caminho de cada palavra.
(Texto: A.Z / Foto do blog Meditação do Dia)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Anunciada!

O nome ganha outra conotação... uma letra ao lado da outra sonorizando sentimento, mexendo com a estabilidade da emoção quando escritas ou pronunciadas. A voracidade do desejo em ouvir, falar, ler, escrever... e também a intensidade do querer silenciar, dualidade completa.
Fechar os olhos, a leva em um mergulho de sensações que enaltecem as lembranças.
O gostar desse olhar ao mundo, quando as cores que lhe faltam, ganham pinceladas dadas por ele... a energia que ela transborda o reabastece. A lágrima compartilhada, o sorriso dado com generosidade, a gargalhada cheia de cumplicidade.
Nessas cores, nesse espaço aberto ao sentir, as falhas lamentadas, os sentimentos declarados, a paixão anunciada!
Tudo o que querem é um acorde perfeito maior!
(A.Z)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tua cor... minha cor!

A sensibilidade de um olhar aberto ao mundo gera registros que emocionam outros olhares.
As cores, as formas, a dor, a alegria, a vida...
Meu cenário não tem girafas ou leões, meu mar é tímido e sua água é doce. As luzes de minha cidade tem um brilho diferente, minha cor não tem a bela tonalidade da sua, mas ainda assim, meu corpo não resiste ao embalo de teu batuque...
Em cada quadro, recheado de traços de diferentes realidades, encontro semelhanças nos sentimentos que os pincelam.
O tempo iguala os traços da idade de sua gente e da minha gente...
a terra tem o mesmo tom para manchar sua veste e a minha veste...
Teu golfinho é primo de meu boto...
Os céus geram trovões e relâmpagos que assustam e geram os mesmos gritos de susto das senhoras que acreditam que precisar cobrir o espelho para não atrai-los...
O sol ilumina o rosto de tua criança, dando à ela uma luz que a torna um anjo... esse mesmo brilho chega no meu ribeirinho, caboclo dos rios dessa Amazônia.
Nesses cliques conheço mais do teu mundo, do meu mundo... das nossas vidas.

Texto: A.Z / foto: Sergi Barisashvili http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6016006832353014094

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quem te Zílio...

Esse recado foi postado pelo amigo Daniel de Andrade Gaia, do blog www.saitica.blogspot.com em meu texto "Minha cinza, minha sina, renascer"
Gostei e compartilho como forma de homenagem ao querido Daniel.

Andréa Andréa, quem te Zílio ...
foi o bem te ví ?
Quanta inspiração
carrega nos sonhos
Andréa Zílio
unindo a Fênix
mimetiza-se
o ser
e o abstrato
Papoulas na estrada
Daime para vagar no espaço

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A fala

Nessa insanidade diária, meu refúgio... teus braços.
Teu olhar, cúmplice de meus desejos, me decifram e comandam teu toque... tua mão na minha pele... teu calor que aquece essa veste.
Aliado ao meu querer, desnuda tua alma em canções e versos. Revelações que se perpetuam em momentos rabiscados com sutileza, criando páginas de encantamento, descobertas, trocas.
Sem preocupação com o fim... uma história com a mais bela harmonia... embalada em sons de sonhos e boas energias. Esqueço o tempo, esse mesmo, inimigo do querer... reconstruo um novo cronômetro, sustentado pela poesia que é estar ao seu lado.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pedaços de um reencontro


Um

Custava acreditar que estava, novamente, diante de alguém como ele. Não era, mas era o mesmo.
O mesmo olhar, profundo. O mesmo humor abafado. A mesma reclusão. Irresistível!
Não era mais adolescente, tinha perícia. Tornara-se especialista nele. Estudara muito, atenta. Decorara gestos, expressões, reconhecia o andar.
Empenho em vão? Seria aquele o mesmo?
Não diria sim nem não. Não sabia. Só reagia igual, gelo no estômago, tremor nas mãos.
Não era mais adolescente e aquilo... Aquilo era coisa de adolescente!
Passara do tempo de se esconder, envergonhar-se de suas ideias. Seria diferente: agiria, gostasse ele ou não; diria o que pensa, quisesse ouvir ou não.
E queria?
Deu-se conta de seu desvario. Parada diante dele, divagando, como se a quisesse. Talvez quisesse. Provavelmente não. Mas então não seria o mesmo.


Dois


Sentara ao seu lado já ciente da situação ridícula a que se expunha. Costas tão eretas e respiração tão pausada que não passariam por natural. Mas eram. Ao lado dele, eram.
Fora assim sempre, não mudaria.
Sozinhos, respirações tornando-se ofegantes, quebrando o silêncio. O momento perfeito.
A mão pousada na mesa, fingindo distração, não enganava, queria um toque.
A mão na coxa ansiava proximidade do corpo alheio.
O prenúncio de um toque casual arrepiava-lhe a espinha; um toque intencional, paralisava.
Queriam proximidade. Os olhares fixos na TV sabiam ser o estopim, caso se encontrassem. Um encontro e cederiam.
Mas não se encontraram.
Passos alheios na sala, relaxaram e moveram as mãos. Estavam seguros. Escaparam mais uma vez.
Privaram-se, uma vez mais, não do desejo, da saciedade.
Viveriam assim, em suspenso, até rebentarem as defesas.
Elas não rebentariam nunca.


Três


Deitada, satisfeita, olhos fixos no espelho que refletira seu prazer.
Observava as curvas já um tanto flácidas, os cabelos despenteados, maquiagem borrada. Linda. Admirava através da fumaça num completo voyeurismo. O corpo ainda latejava, satisfeito.
Enfim as mãos não haviam se contido, tocaram a pela mais macia com o desejo há tempos reprimido, contido, quisera sufocado...
Não fora. Uma fagulha e irrompera.
Estavam como queriam estar, frouxos, olhando-se, mudos. E seguiriam cada um para sua vida.
Restariam beijos trocados, respirações compassadas, carícias lascivas, impudicas. A cadência perfeita. O prazer sem igual.
Roupas no chão, maquiagem borrada. Já não havia espelho, não havia nada.

(Texto: Cecília França)

Obs: Costumo publicar em meu blog apenas texto de minha autoria, mas este conto é especial, de uma pessoa que promete ser colaboradora sempre que quiser compartilhar suas criações conosco. É claro que esse Espaço está Aberto à você, Cecília França, e toda sua maestria com as palavras.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A arte de navegar!

Hoje é dia do poeta... e recebi esta imagem que é pura poesia.
Nela me encontro,fantasio, recordo, reencontro...
O presente é da querida amiga Val Fernandes, com seus olhos verdes, sensíveis aos momentos de simplicidade da vida, que exalam beleza.
Não vou tentar poetizar sua imagem, inúntil.
Neste guia das águas encontro minhas raízes...
Recordo da Ilha do Marajó, suas águas, sua gente, minha gente...
Fantasio novos sonhos, novos passos, novos rumos...
Reencontro minha essência, minha identidade, minha vida.
Obrigada Val Fernandes por tanta poesia em duas cores, neste dia tão belo, dedicado a uma arte que admiro tanto, que é a de poetizar a vida!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Inverno... primavera

Dessa sensatez desajustada a uma loucura desenfreada,
Saio da linha reta e pincelo um abstrato cheio de cores...
insinuo curvas em busca de uma direção, mas é nesse infinito que encontro a coerência do existir.
Nessa redoma de vidro jogam-se pedras e juntam-se os cacos, não peço licença, mas não empurro...
Simplesmente é assim... a vida sem caminho certo para voltar, apenas o próximo passo é a sina.
Não ficarei presa ao passado se o inverno terminou... mas não o ignoro, me reinvento assim como as chuvas que lavaram a cidade e penetraram o solo, regando uma primavera que se anuncia.

(Texto: A.Z)